IBOVESPA – volta aos 48 mil pontos e despenca quase 30% no ano
Segunda-feira, 8 de agosto de 2011

São Paulo - Mais um pregão turbulento para os mercados financeiros. Num ambiente de humor já deteriorado diante das preocupações com uma nova recessão global, a decisão da Standard & Poor´s de rebaixar a nota de crédito soberano de longo prazo dos Estados Unidos de ‘AAA’ para ‘AA+’ testou os nervos dos investidores.

As vendas ganharam fôlego nas praças acionárias mundo afora e também atingiram em cheio os preços das commodities. Exceção para o ouro, considerado um ativo mais seguro, que bateu novo recorde.

Em momentos de incerteza, investidores tentam evitar ativos de maior risco e buscam liquidez. Os Treasuries americanos e o dólar continuam servindo de refúgio, mesmo com o corte da nota do país.

No Brasil, a bolsa apanhou ainda mais que seus pares internacionais e quase teve as operações suspensas, ao perder 9,74% na mínima do dia. Se a queda do IBOVESPA atingisse 10% seria acionado o mecanismo de ‘circuit breaker’, dispositivo de segurança que interrompe as negociações na ocorrência de movimentos bruscos de mercado, permitindo o rebalanceamento das operações.

O mercado nacional, contudo, conseguiu devolver uma parte das perdas nas duas horas finais de negociações. O IBOVESPA encerrou com desvalorização de 8,08%, aos 48.668 pontos. Este foi o pior pregão desde 22 de outubro de 2008 (-10,18%) e o menor patamar desde 30 de abril de 2009 (47.289).

O giro financeiro atingiu cerca de R$ 9,599 bilhões e o número de negócios na BOVESPA bateu novo recorde, ao superar 1 milhão. Em agosto, a BOVESPA já cai 17% e, no ano, perde cerca de 30%.

No mercado americano, as bolsas também desabaram. O índice Dow Jones caiu 5,55%, para 10.809,85 pontos, e o Nasdaq recuou 6,90%, aos 2.357,69 pontos, ambos no menor nível desde 4 de outubro de 2010. O S&P 500 perdeu 6,66%, aos 1.119,46 pontos, menor patamar desde 10 de setembro de 2010 (1.110).

O corte da nota americana apenas acentuou as preocupações que já pairavam sobre os mercados. A economia do país tem dados sinais de fragilidade e, junto à crise da dívida soberana europeia, tem deixado o investidor com o ‘pé atrás’, diante da possibilidade de um ‘duplo mergulho’ recessivo.

No Brasil, o movimento vendedor seguiu irracional, com ordens de ‘stop loss’ (limites de perdas) disparadas. ‘Os fundamentos estão sendo deixados de lado e houve um movimento de efeito manada de saída da bolsa’, diz Luiz Gustavo Pereira, da equipe de análise da Um Investimentos.

O investidor brasileiro, institucional e pessoa física, parece estar atuando ainda com maior força que o estrangeiro na retirada de capital da BOVESPA. Em agosto, até o dia 4, o estrangeiro segue com saldo direto positivo de R$ 423,7 milhões, enquanto o pequeno investidor e o institucional têm resultados negativos de R$ 124,5 milhões e R$ 746,7 milhões, respectivamente.

O estrategista de renda variável da CM Capital Markets, Rafael Espinoso, ressalta que a grande preocupação do investidor agora é sobre o novo ‘fundo’ da BOVESPA. ‘O investidor está vendendo, fica com caixa e espera a poeira baixar’, diz. Segundo ele, há espaço para mais queda do IBOVESPA.

Espinoso destaca que, em 2008, quando o IBOVESPA chegou a marcar mínima na casa dos 29 mil pontos, a relação Preço/Lucro (P/L, indicador que mede o tempo de retorno para o investidor reaver seus investimentos) alcançou 6,8 vezes. Logo, ainda há espaço para o índice cair para um nível de43 a 44 mil pontos, observa.

No curto prazo, as esperanças do mercado estão voltadas para a reunião desta terça-feira do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). A expectativa de uma nova edição do chamado ‘quantitative easing’, mecanismo pelo qual o Fed compra títulos públicos para injetar dinheiro na economia, segue alta.

O Banco Central Europeu (BCE) já promoveu hoje a iniciativa de comprar bônus dos governos italiano e espanhol para conter o contágio da crise. Ainda assim, as bolsas da região não escaparam do movimento global de queda.

Nos EUA, as palavras do presidente Barack Obama não conseguiram acalmar os ânimos. Ele disse que o rebaixamento da nota do país foi provocado pelas dúvidas geradas pela disputa política doméstica e que os problemas econômicos do país são solucionáveis.

Empresas

Todas as ações do IBOVESPA caíram nesta jornada, com destaque para LLX Logística ON (-14,6%, a R$ 3,1), Brasil Ecodiesel ON (-15%, a R$ 0,51), OGX Petróleo ON (-16,36%, a R$ 9,2) e Marfrig ON (-24,83%, a R$ 9,02).

As menores baixas do índice pertenceram aos papéis Usiminas ON (-0,89%, a R$ 22,05), CTEEP PN (-1,54%, a R$ 44,7) e Natura ON (-2,69%, a R$ 32,16).

Com o maior volume do dia, no valor de R$ 1,1 bilhão, as ações PN da Vale cederam 9,17%, a R$ 36,54, seguidas dos papéis Petrobras PN (-7,58%, a R$ 18,65), com volume de R$ 768 milhões.

Fonte: www.globo.com